Empreendedorismo nas escolas: Pioneira na área, Escola Secundária Cesaltina Ramos já tem projetos em fase de maturação
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09 fevereiro 2024

https://www.balai.cv/noticias/empreendedorismo-nas-escolas-pioneira-na-area-escola-secundaria-cesaltina-ramos-ja-tem-projetos-em-fase-de-maturacao/?fbclid=IwAR1BeUs6mGIZs37M5kIRU774cB_D8Ix9KsOoqNqcufEhcxvCC2gOH8DZC2Q

 

O Gabinete de Empreendedorismo e Estágios Profissionais da Escola Secundária Cesaltina Ramos é um projeto pioneiro e o objetivo é que as estruturas orgânicas de todas escolas técnicas de Cabo Verde tenham um gabinete de empreendedorismo no futuro.

Um ano após a sua criação, o Gabinete de Empreendedorismo e Estágios Profissionais da Escola Secundária Cesaltina Ramos – ESCR (Escola Técnica), na Praia, já conta com 32 membros e pretende criar uma rede de empreendedores dentro da comunidade académica. Segundo o professor João Mendonça, que é coordenador do gabinete, o objetivo “é que todas as escolas técnicas (do país) tenham um gabinete para orientar os estágios e o empreendedorismo”.

Em entrevista ao Balai, o coordenador que é professor na disciplina de Gestão de Qualidade e Gestão de empresas na escola situada em Achada Santo António, cidade da Praia, dá detalhes de como funciona e partilha os ganhos alcançados, desde a sua implementação, em fevereiro de 2023.

“A criação do gabinete alinha-se aos propósitos da escola que além de formar quer preparar os alunos para o “saber fazer” e, principalmente, para a criação dos seus próprios negócios e o posicionamento em relação ao trabalho e ao sucesso. Ou seja, o objetivo é mudar o chip dos nossos alunos em relação à nova forma de ver o futuro”, começa por explicar.

Conforme avançado por João Mendonça, a criação do gabinete por parte da direção da escola carrega a intenção de criar uma rede de empreendedores com pessoas que fizeram e ainda fazem parte daquela comunidade educativa. Rede esta que atualmente conta com 32 elementos e que nas palavras do coordenador, variam entre professores, ex-professores, alunos, ex-alunos e encarregados de educação.

“O nosso objetivo é trabalhar em parceria, na lógica de dar e receber, temos membros empreendedores que se complementam entre si. Só a título de exemplo, temos alunos que já estão a empreender na área de artes gráficas com as suas lojas online, e da mesma forma, temos alunos das TIC que podem dar suporte na criação destas lojas”, diz.

Como funciona o gabinete?

Questionado se há um limite de idade para os alunos que podem aceder ao gabinete, o coordenador diz que embora não haja uma restrição, são os alunos a partir do 10.º ano que começam a recorrer ao gabinete, sendo a maioria dos alunos do 11.º e do 12.º ano.

“A nossa intenção é utilizar este gabinete como um espaço aberto, de sentar e trabalhar no brainstorming (chuva de ideias), e a partir daí orientarmos os alunos sobre as formas que podemos ajudá-los”, sublinha.

“Quando temos alunos com os seus projetos já materializados, eles vêm cá e os incorporam na rede. Com aqueles que ainda não têm um negócio já formalizado, temos o papel de os ajudar a formalizar e de motivá-los”, completa.

Na assistência aos alunos, os parceiros também dão mentoria aos educandos e por isso que a coordenação procura levar para a rede o máximo de pessoas capacitadas em empreendedorismo, para os auxiliar nesta função.

Área das Artes com maior presença

Questionado sobre o grosso das áreas que recorrem ao gabinete, o coordenador afirma que os estudantes das Artes são os que têm uma presença mais percetível em comparação com os demais.

“Os alunos das Artes estão um bocado à frente, principalmente na questão de criação das lojas online. Mas também temos um caso sui generis de uma aluna da Construção Civil que optou por empreender na área da moda, com a criação de peças. Isso também mostra que não é necessário estar numa área X para empreender nela. O importante é ter a visão do projeto (…)”, diz.

Por outro lado, adiantou que os alunos das TIC também se destacam com a ideia de criação de startups , sendo que há dois projetos em fase de maturação. Do outro lado os alunos da área de Gestão de empresas, que marcam presença de “forma ativa” nas feiras de pequenas empresas que são promovidas pela escola.

Progressos após um ano

Segundo diz, neste primeiro ano, o gabinete destaca-se não só pelo aumento dos membros, como também pelo surgimento de novas ideias por parte dos estudantes.

“Temos casos de grupos de alunos que estão a iniciar projetos inovadores e startups tecnológicas. Temos dois projetos que estão em fase de incubação, um no domínio de novas tecnologias de rega e outro na criação de softwares para monitorar a circulação do ar dentro das salas de aulas. Também temos alunos que estão a criar os seus planos de projetos individuais”, avança.

“De modo geral, pode-se dizer que estamos na fase de motivar e a ver se contagiamos mais alunos para tornar a Escola Técnica como um caminho para o autoemprego”, acrescenta.

A escola procura atrair também um maior número de parceiros, entre eles, organizações públicas e privadas, relacionadas ao ecossistema do empreendedorismo no país, para que os auxiliem nos processos de acompanhamento dos alunos, na oficialização e formalização dos projetos apresentados pelos mesmos.

O coordenador diz que contam com empresas que acolhem os estagiários enviados pela escola, no sentido de “os motivar sobre a ideia de criar uma empresa”.

Embora o gabinete seja aberto para os diferentes agentes, incluindo empresas, Mendonça defende que “é um processo ainda a construir” e que algumas têm marcado presença na escola com interesse em possíveis estagiários.

“Temos uma visão muito estratégica que é de formar jovens para o mercado, para isso, as empresas são fundamentais para a materialização desta estratégia. Além disso, estamos a trabalhar na lógica de: “Uma empresa, um padrinho”. Há que ter uma empresa a apadrinhar um dos nossos alunos, tanto com finalidade para vagas de estágio, mas também, para lhes dar a motivação empreendedora “, diz.

Mudar mentalidades

“Apesar do empreendedorismo ser um conceito antigo, aqui ainda estamos nesta onda de que é algo novo. Está-se a trabalhar nesta questão de mudar a mentalidade e mostrar que o empreendedorismo não é apenas para abrir um negócio (…)”.

Para Mendonça, um dos grandes desafios está relacionado com o esclarecimento sobre a real função da instituição de ensino, de que “a escola é muito mais do que um espaço de partilha de conhecimento”. Na sua visão, alguns alunos têm a ideia de ir à Escola Técnica apenas para completar o 12.º ano e partir para o curso superior.

“Isso é muito importante, mas o nosso desafio é incutir logo cedo de que há outras vias que podem complementar a formação científica”, sublinha.

Expandir para outras escolas

Depois de um ano de funcionamento, a coordenação almeja não só continuar com a iniciativa, como também deseja ver a iniciativa expandir-se a mais escolas e direções de ensino técnico.

“A ideia é que todas as escolas técnicas tenham um gabinete para orientar os estágios e o empreendedorismo, nós apenas estamos a ser pioneiros. Mas no plano curricular, nos próximos tempos, o gabinete de empreendedorismo fará parte das estruturas orgânicas das escolas técnicas de Cabo Verde.

Para João Mendonça, o empreendedorismo “é muito mais do que moda, tornou-se numa necessidade de incutir nos alunos esta vertente de criar uma nova visão em relação ao trabalho, ao futuro e ao rendimento”.

Balai

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